Indo ao boteco

Estávamos indo ver um jogo do Brasil no Ellis Park, que fica em Joanesburgo, em um bairro não muito seguro, se é que dá pra entender. Tivemos que estacionar o carro na rua e ainda sim andar um bocado pra chegar ao estádio, o que nos obrigava a andar pelo bairro durante a noite.

Mesmo com todo o policiamento, ainda era uma senasação estranha andar por aquelas ruas escuras entre casas cheias de grades e estabelecimentos comerciais nada amigáveis.

Quando um de nós (o carioca ixperrrto) resolve tomar uma com os negões num bar ali mesmo e sem perguntar nada, já entra no bar. Eu não gostei muito da idéia, pois era um tipo de bar que nem no Brasil eu me arriscaria a entrar, mas como tinha vários carros de polícia por ali, acabei entrando pra ver como era…

Não preciso dizer que éramos os únicos brancos (numa escala de cor onde 0 é o Michael Jackson e 10 é o Usain Bolt, eu estaria no máximo em 2) dentro do bar e que todos pararam pra nos olhar quando entramos.

O bar era extremamente mal iluminado, tinha uma Jukebox, algumas mesas de sinuca bem acabadas, o caixa era inteiro cercado por uma grade e tinha uma pequena porta, por onde o atendente recebia o dinheiro e entregava as bebidas.

Entramos e fomos ao caixa comprar cervejas, e nesse ponto eramos a atração da noite no boteco. Alguns vieram nos cumprimentar e instantaneamente já pediam dinheiro, seja pra uma cerveja, seja pra um cigarro, mas eles queriam que a gente pagasse alguma coisa pra eles.

Falamos que eramos brasileiros e estavamos indo ver o jogo e era praticamente a mesma resposta de todos: “Brasil, legal, vocês vão ganhar o jogo! Mas você não tem uma grana aí pra eu comprar um cigarro?”

Depois de dar ums moedas a uns dois ou três eu achei que a experiência já tinha sido suficiente e disse pro pessoal que acabando a cerveja devíamos ir embora. Então acabamos com nossas cervejas (aqui não se pode beber na rua) e saímos do bar ainda inteiros. Bem quase, pois quando chegamos ao estádio, um de nós percebeu que a câmera tinha ficado no bar, na mão leve de alguém de lá…

Serviços

Como eu tinha prometido esse será um post sobre os serviços daqui. Vou falar de dois casos que aconteceram comigo.

Uma das primeiras coisas que eu tive que fazer quando cheguei aqui foi abrir uma conta bancária. Fui até Pretória, em uma agência (Nedbank) que fica junto a embaixada brasileira, falar com uma gerente que já tinha feito isso pra vários brasileiros. Levei a papelada, estava tudo certo, porém não seria possível aquele dia, pois o sistema estava fora do ar. Tudo bem, isso acontece com bancos brasileiros também, pensei. Voltei no outro dia, assinei a papelada e estava tudo certo, já tinha a conta aberta.

Mas não tinha cartão ainda. Este seria enviado para uma agência próxima da minha casa e em uma semana eu seria avisado por telefone pra retirá-lo. Passada uma, duas, três semanas, eu fui até a agência pra perguntar onde estava o meu cartão. Descobri que ele havia sido enviado para um supermercado (queria saber por quê um cartão de banco vai para um supermercado) no mesmo shopping onde fica o banco e que eu teria que esperar mais uma semana para ele retornar ao banco e eu poder retirá-lo.

Duas semanas depois, voltei ao banco para perguntar do cartão, que não havia chegado e agora eles nem sabiam onde estava. Pedi pra cancelarem o cartão e pedirem outro, que seria mais rápido. E de fato foi: uns dez dias depois o novo cartão chegou e eu pude, enfim, ter acesso a minha conta.

Alguns dias depois, me ligaram do banco dizendo que meu primeiro cartão havia chegado e que eu deveria voltar lá pra retirá-lo. Não voltei e só espero que eles não cancelem o que está comigo.

Outro serviço foi a internet. A internet aqui é uma coisa que precisa evoluir muito e espero mesmo que isso aconteça já para a copa do mundo no ano que vem. O esquema aqui é por consumo de banda, e eu assinei um pacote de 10GB/mês que é o pacote máximo que a empresa (iBurst) oferece. Aliás, eu tinha outras duas opções que eram a internet da empresa de telefonia, mas para isso eu teria que esperar que instalassem um telefone em casa primeiro, ou a internet 3G, que até funciona muito bem, mas o custo é aproximadamente o dobro do que eu pago hoje.

Até aí tudo bem, não é uma questão necessariamente de prestação de serviço. Pra poder assinar eu tinha duas opções, a primeira era fechar um contrato de dois anos, que me daria o equipamento (modem + antena – a internet é via rádio) ou fazer um pacote mês a mês e teria que comprar o equipamento.

Fui até a loja, preenchi um formulário e tive que esperar uma semana para saber se eu seria aprovado para o contrato de dois anos. Ninguém me ligou pra avisar, eu tive que ir até a loja para perguntar e saber que o contrato não havia sido aprovado, pois eu era estrangeiro.

Decidi então fazer um contrato mês a mês e comprar o equipamento. Nesse ponto o vendedor foi até legal, pois ele me disse para esperar dois dias que ele conseguiria um equipamento que estava sendo usado como demonstração e que seria a metade do preço de um na caixa. E realmente ele conseguiu o equipamento e até me ligou para avisar.

Levei então a papelada para fazer o contrato mês a mês. O vendedor me explicou que eu teria que pagar um proporcional sobre o mês corrente, mas que este proporcional só seria cobrado junto com a primeira parcela, que por sua vez, venceria no final do próximo mês. Pra não ter dúvida eu perguntei umas duas vezes se eu tinha entendido direito: eu ficaria um mês e meio sem pagar e depois pagaria uma inteira mais o proporcional. O vendedor confirmou e o chefe dele, que estava junto na hora, também.

Alguns dias depois, qual não foi a miha surpresa? Chegou um e-mail da iBurst dizendo que se eu não pagasse, a internet seria cortada. Fui até a loja e os caras ligaram para a central, pra então me dizer que tinham se enganado. Como eu ainda estava sem meu cartão do banco e sem acesso a minha conta bancária, fiz um depósito na conta que me mandaram por e-mail, escaneei o comprovante e enviei pra eles por e-mail mesmo.

No início do próximo mês o que aconteceu? Debitaram da minha conta a parcela toda daquele mês, que tinham me garantido que era só no final do mês. E pra completar, debitaram novamente o proporcional que eu havia pago por depósito. Aliás, até hoje não me devolveram essa grana.

Isso sem falar nas outras coisas que aconteceram com alguns amigos, como cancelar o plano de saúde e não avisar, notebook voltar da garantia com a tela quebrada, etc…