Um ensaio sobre a passagem do tempo

Sempre fui nostálgico. Adoro lembrar de histórias do passado, muitas vezes idealizando o tempo em que se passam essas histórias com um certo romantismo, que nem tenho certeza se realmente existiu.

Na minha mente sempre foi bom relembrar o passado, seja recordando de momentos bons ou até mesmo nem tão bons assim. É quase um passatempo. Já passei uma boa parte da vida pensando em acontecimentos, pessoas, lugares e principalmente sensações que já se foram há algum tempo.

E durante essas sessões de nostalgia, um fato que eu tomava como verdade é o de que alguns lugares ficaram parados no tempo. Tinha a sensação de que isso acontecia com minha cidade natal, por exemplo.

Todas as vezes que eu ia visitar minha família, sempre tinha as mesmas lembranças, acabava visitando os mesmos lugares e voltava pensando: “Puxa vida, esse lugar parou mesmo no tempo…”

Mas da última vez que fui, algo estava diferente na minha percepção. Não sei exatamente o que houve, mas acho que eu finalmente olhei ao meu redor e a ficha caiu: Nada para no tempo!

Meus pais já não moram na casa em que eu cresci, meus irmãos seguiram suas vidas por caminhos bem distintos, meus sobrinhos já estão enormes, enfim, a vida seguiu seu curso. Não só as pessoas, como a cidade também mudou, acompanhou o tempo que passou.

Daí eu entendi. Finalmente entendi que o tempo passou normalmente por lá como em qualquer outro lugar. Que muitas mudanças ocorreram e tudo foi se ajustando ao longo do tempo, que não parou.

E isso me fez pensar sobre as escolas onde estudei, os amigos de outrora que não vejo há tempos, os empregos do passado, a sensação bacana ao andar de bicicleta, os programas que eu via na televisão e até a cidade que não é mais meu lar. O tempo passou igualmente pra tudo e pra todos e, independente do quanto, muita coisa mudou, se adaptou ao presente ou até deixou de existir.

E de repente eu percebi que quem queria que o tempo não tivesse passado era eu.

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Por que todo mundo precisa de um motivo?

Semana passada eu comecei a correr e tenho corrido quase todas as tardes desde então.
Não comentei o fato com muita gente, achei desnecessário. Mas sempre que alguém fica sabendo que eu estou correndo, todos querem saber o motivo: -Quer perder a barriga? -Quer entrar em forma? -Tá correndo pra que?
Eu sei lá porque motivo específico. Estou correndo porque quis correr. Simples assim.
Ninguém pode mudar os hábitos sem algum motivo. Não tem lógica, todo mundo precisa de um motivo pra fazer algo.
E parece inconcebível começar alguma coisa só porque eu quis. E se me cansar, amanhã, na próxima semana ou daqui a 10 anos, eu paro. Sem frustrações, sem arrependimento e provavelmente sem motivo, assim como eu comecei.

Certezas

Sabe aquelas coisas que você teve curiosidade, mas nunca teve disposição ou coragem pra fazer? Então, deixar o cabelo crescer, pra mim, era uma dessas coisas.

Há quase dois anos atrás, lembro de um amigo me perguntar se eu já havia sido cabeludo. Prontamente eu respondi que nunca tive cabelo grande e, ainda naquela época, tinha certeza de que nunca teria.

O mesmo tipo de certeza que eu tinha quando já tinha viajado pra três continentes e pensei que talvez ainda visitaria a Oceania, mas nunca a África.

O problema não era o cabelo grande em si, mas a fase intermediária e interminável, enquanto ele cresce, na qual fica-se bem estranho.

Mas, no fim das contas, eu fiquei estranho, num lugar estranho, com pessoas estranhas. Até aí nada de estranho, afinal.

Beleza. Foi bem bacana até agora, mas acho que já deu. Depois de um tempo esqueci qual era o propósito inicial, se é que houve algum, porque não me lembro mais…

E foi legal perceber depois que era perfeitamente possível e totalmente indolor. Na verdade eu até gostei mais do que achei que fosse gostar.

E quem sabe eu ainda não aprenda violino ou more na Escandinávia? Porque, com certeza, não desisti de visitar a Oceania.

Chuva

Chove. E não é muito comum chover por aqui, mas chove desde que o dia começou.
Cheguei em casa há pouco, depois de um dia longo e entediante. Nem todos os dias são assim, mas hoje foi.
Não há eletricidade também e com isso não muito o que fazer. A bateria do notebook deve agüentar umas duas horas e depois disso só me resta dormir.
Deitei na cama e fiquei observando as gotas de chuva escorrerem pela janela. Não sei por que, mas olhar pra chuva me deixa nostálgico. Desde criança, me encanta ver gotas de água caindo do céu. Já passei muitos momentos, em várias épocas da minha vida, olhando pra chuva e talvez a nostalgia venha da lembrança desses momentos.
É incrível como é possível se sentir sozinho, mesmo rodeado de pessoas. Aqui, deitado na cama, olhando a chuva, me sinto sozinho apesar de ter mais gente em casa.
Não faz nem uma semana que cheguei e já me sinto só. É engraçado perceber que até o ar é diferente e apesar de gostar daqui, prefiro lá.
E eu que achava que já estava craque em me adaptar a mudanças. Ou talvez, estar lá de novo tenha mudado tudo e voltar agora tenha sido diferente.
Sei lá.
Tinha decidido não pensar muito nisso, mas o que fazer numa noite chuvosa e fria? Olhar a chuva não está ajudando…

Despedidas

Aproveitei esse feriado fui visitar meus pais pra me despedir antes da viagem.

Meus pais são o oposto um do outro. Enquanto meu pai, calmo e equilibrado, me perguntou se era uma boa ir trabalhar tão longe, minha mãe, se pudesse, acredito que me trancaria no quarto e me proibiria de sair de lá…

E olha que já faz bem mais de uma década que eu não moro com eles.

Mas despedidas nunca são fáceis, pois geralmente você se despede de quem você gosta, e faz isso sabendo que não vai voltar a ver aquela pessoa por um período de tempo.

Eu entendo o que eles devem estar sentindo. Vamos ver se eu também vou desabar em lágrimas quando disser o tchau definitivo à minha…

Mama África

Então, o causo é o seguinte…

Estava já não estava mais totalmente motivado e satisfeito com meu trabalho, mas não tinha motivos para sair de lá, pois o salário era razoável e ninguém é louco de pedir demissão em meio a um crise econômica.

Pois numa quinta-feira de sol, meu gerente me chamou em sua sala pra dizer que eu estava sendo desligado da empresa, juntamente com 20% dos empregados da empresa.

Fiquei mal no dia, mas por outro lado, era uma oportunidade de tentar um re-começo, onde pude rever o andamento da minha carreira e avaliar algumas escolhas que tinha feito.

Duas semanas depois, fiz uma entrevista em uma empresa pequena, mas com uma boa proposta de trabalho e já estava empregado novamente.

Trabalhei lá por uma semana, e tive oportunidade de fazer outra entrevista, em uma empresa maior, porém para trabalhar na África do Sul por 3 anos e ainda trabalhando em algo que eu gosto.

Fui aprovado no processo seletivo e mudei de emprego novamente.

Bom, toda essa enrolação pra dizer que no próximo dia 16 estou embarcando pra África do Sul, onde permanecerei trabalhando por 3 anos.

Vou tentar atualizar este blog para contar minhas aventuras por lá e dividir com todo mundo.

Erro

Por definição, diz-se humano aquele que erra e burro aquele que teima em insistir no erro.

Apesar de todos os alertas e conselhos, decidi insistir no erro. Mea culpa, mea maxima culpa, assumo a burrice publicamente.

Da primeira vez foi um erro, eu não sabia, não estava preparado, as coisas aconteceram de maneira errada… Mas dessa vez dói de uma maneira diferente, pois tem também uma pontinha de orgulho ferido.

Não dá pra dizer que eu não sabia. A raiva, dessa vez, é de mim mesmo também, pois era tão óbvio e desde o começo…

Bola pra frente então, fazer o que nessa altura do campeonato? Só que dessa vez não vai ter nem ombro pra lamentar, pois todos os ombros se foram quando eu comecei a insistir no erro…